A SOMBRA DO OBSCURANTISMO


Sem querer mencionar o autor de uma crítica muito bem feita que deu origem a este meu texto, pois isso poderia, eventualmente, dar lugar a que passasse a ser considerada membro ou simpatizante do  partido da pessoa em causa - quando sou absolutamente apartidária - gostaria de referir aqui o seguinte:

Fico muito bem impressionada sempre que bons críticos usam uma  forma clara, precisa e imparcial de analisarem as actuações dos vários governantes que temos tido, ou mesmo de figuras públicas, do nosso País. Tenho pena é que, quase sempre, esses não queiram assumir lugares de chefia. Não sei se será por saberem existir uma disfarçada barreira a medidas que conduzam à queda do obscurantismo - a qual não quererão enfrentar por fidelidade aos seus princípios - ou porque não quererão expor-se a uma situação que mexa com a sua estabilidade pessoal e familiar.

Adequados programas para desenvolvimento cultural da população deveriam estar incluídos na base de medidas revolucionárias a serem tomadas, urgentemente, em Portugal, pois testemunhamos muitas falhas nos sucessivos governos aos quais, provavelmente, tem-lhes sido conveniente manter o obscurantismo que referi. A cultura não isenta, tendenciosa, trava medidas importantes em prol de um são progresso social e poderá conduzir a uma degradação dos pilares que deveriam garantir a continuidade de iniciativas tomadas no sentido de tornarmo-nos uma população feliz em todos os sentidos, particularidade que não convirá aos governos corruptos, pois os seus elementos deixariam de poder “puxar a brasa à sua sardinha”. Quando me refiro a programas de desenvolvimento cultural refiro-me a medidas revolucionárias a tomar nos mais variados sectores, nomeada e principalmente na área da saúde, do ensino, da família, da informação, do entretenimento, etc., tendo sempre como principal objectivo a formação duma nova geração,  e o reinventar de programas de correcção de atitudes das gerações mais velhas, marcadas ainda por defeitos adquiridos no passado.
O sucesso dos "vendedores de pomada Santa Gibóia" só tem sido possível devido ao nosso elevado número de ignorantes os quais, não só não terão motivação para a leitura, por exemplo, por falta de hábito, como ocasionará não estarem à altura de compreender a maior parte das coisas que são escritas, o que causará, por vezes, a leitura incorrecta do que vão lendo, ou mesmo ouvindo nos meios de informação.  Para conseguirem os seus objectivos, aqueles fabricantes de promessas manipulam a população duma forma que mexe com qualquer cidadão mais lúcido e/ou melhor informado, o que é, lamentavelmente, impressionante. Mas esta é uma mínima razão entre tantas outras condenáveis.

A agravar esta situação está o facto da incultura levar a "cegas" tomadas de posição por aqueles a quem chamo "professores", os quais sabem tudo e não deixam que os outros saibam seja o que fôr. Estes são muitíssimos e são, também, os que votam sem saber a fundo quem é o cidadão que querem ver eleito. São essas posições, frequentemente transformáveis em graves conflitos, que agravam a solução de problemas que poderiam ser resolvidos de forma democrática, mas que a referida incultura não consegue assimilar como sendo, em democracia, a correcta forma de ouvirmos, de sermos ouvidos e de obtermos os resultados desejados, de forma pacífica, justa e sólida. Seria este um bem programado trajecto para um futuro idealizado por cidadãos bem formados, por homens de mente limpa em corpo são. Assim, impor-se-ia, com urgência, que os nossos políticos mudassem de táctica e começassem, não só a usar de transparência real (sim, porque há a transparência alienatória, muito perigosa) como a decidirem optar por transformar promessas numa verdade convincente. O problema maior está, portanto, também em QUEM se escolhe para governar o País. Como será isso possível se um lamentável número de candidatos, ao invés de olharem apenas para o seu umbigo – embora de vez em quando, para disfarçar, olhem “um pouco” para o umbigo dos outros -  continua a defender interesses que nada têm a ver com o melhoramento das condições económicas em que vive a maioria dos portugueses? É aqui que volto a perguntar: Como podemos qualificar os membros dos sucessivos governos que temos tido? Pessoas que governaram bem ou que se governaram bem???

Maria Letr@

Imagem Stockvault.net

Comentários

BIA disse…
Oi Maria!!!
Absolutamente verdadeiro sua análise porque é assim mesmo que as coisas acontecem, infelizmente né? Mas é bom saber que nem todos são alienados.
Beijos
Bia
Maria Letr@ disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Com certeza, Maria!
Sem a melhoria das condições sociais e culturais de uma nação não medida ou projeto político que dê bons resultados.
Tenho enorme respeito pela sua capacidade de analisar o contexto social de seu país. Desculpe-me a curiosidade, Maria, mas você é socióloga, advogada ou economista?
Não quero dizer com isso que as pessoas sem nível universitário não possam ser abalizadas para opinar sobre certas questões, por vezes, o fazem melhor até que os técnicos. Mas como falei, foi apenas curiosidade.
Ótima abordagem!
Parabéns!Bjssss

Mensagens populares deste blogue

MAIS UM TEMA PARA REFLECTIRMOS

AUTO DA SUBSERVIÊNCIA (em Português mal dezido)